Resenha Língua de Eulália
BAGNO, Marcos. A Língua de Eulália: novela
sociolinguística, 16 ed., 1º reimpressão. – São Paulo: Contexto, 2010. 219 p.
Marcos Bagno nasceu em MG, mas sempre viveu fora de seu estado natal. Atualmente
trabalha como professor do Instituto de Letras da Universidade de Brasília (UnB)
e no Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução. Graduado em Letras pela
UFPE, onde também fez o Mestrado e pela USP ele consegue sua titulação de Doutor
em 2000, sendo publicada sua tese pela editora Loyola com o título Dramática da
língua portuguesa. Paralelo a trabalhos acadêmicos acerca das manifestações da
linguagem humana, Bagno se dedica a escrever literatura infanto-juvenil, pelo
qual já ganhou diversos prêmios. A obra caracteriza-se pela tipologia:
narrativo-descritivo e pelo constante diálogo entre as personagens. Não se faz
necessário que o leitor tenha um vasto conhecimento acerca da sintaxe, ou outra
área da língua portuguesa, já que Bagno discute a língua a partir do seu caráter
histórico. Bagno discute a pluralidade da língua portuguesa falada no Brasil,
abordando como tema principal o uso da variedade não-padrão. O pesquisador no
seu livro preocupa-se em explicar varias ocorrências tidas como erradas,
quebrando o preconceito de que brasileiro não sabe falar português. Para isso, o
professor Bagno, conta a historia de três estudantes universitárias, dos cursos
de letras, pedagogia e psicologia, que ao sair de férias resolvem ir para uma
chácara em Atibaia-SP, aonde mora Irene, professora e pesquisadora, que é tia de
Vera, estudante do curso de letras. Ao chegar lá as estudantes conhecem Eulália,
empregada da casa e que diferente delas não tem formação acadêmica e possui um
falar diferente. Ao perceber que as meninas acharam estranho o modo de Eulália
falar Irene resolver explicar algumas ocorrências do português falado do no
brasil. É a parti dai que, Bagno, através da personagem Irene, começa sua aula
sobre o PNP, na qual a professora Irene leva as estudantes a refletiram sobre o
português falado no Brasil, através das analises de diversas palavras e
construções tidas como erradas sintaticamente. Ela faz varias comparações entre
o PP e o PNP, explicando que a língua varia e que existem diversos falares no
Brasil, e mostra que todas essas variedades não surgiram do acaso, do nada, mas
tem uma explicação lógica e coerente, perfeitamente compreendida dentro da
história da língua portuguesa. Irene também faz comparações do português com
outras línguas como: italiano, francês, espanhol, inglês. Além de mostrar para
as três meninas que o português brasileiro sofreu influencias de outros idiomas,
o japonês, alemão italiano etc. devido a migração. O livro de Bagno apresenta-se
preciso e objetivo em seu detalhamento sobre a língua em uso do falante. Com
linguagem simples e ideias originais, essa obra é de suma importância não só
para os estudos da sociolinguística, mas para todos que desejam aprofundar seu
conhecimento sobre a língua portuguesa brasileira. Sendo assim, recomenda-se
essa obra para todos os estudantes de Letras, como, também, para todos os
usuários da língua portuguesa brasileira sem distinção de etnias ou posição
social, para que assim, todos possam acabar com o mito que o brasileiro não sabe
português.